A Educação Ambiental a tecer e fortalecer laços de interculturalidade para a paz, a sustentabilidade e a cooperação entre os povos da Lusofonia
Diz-se que cultura e natureza são dois lados da mesma moeda, como interculturalidade e sustentabilidade. Essa crença ignora que natureza e sustentabilidade também são artefatos culturais. A criação no Ocidente da dualidade entre cultura e natureza tem sido uma ferramenta ideológica indispensável na tentativa de desconectar a espécie humana das determinações derivadas de sua animalidade; ou seja, para aliená-lo de suas condições de ecodependência e interdependência.
Uma Educação Ambiental para a sustentabilidade em uma perspectiva intercultural implica, portanto, aceitar que existem diferentes formas de entender o lugar da nossa espécie na biosfera. Envolve abrir um processo dialógico para explorar alternativas que nos permitam superar o choque traumático da sociedade de mercado global contra os limites da biosfera. Implica reconhecer que existem outras formas culturais de colocar os seres humanos no mundo, maneiras que podem conter as chaves para reagir à nossa atual incapacidade de satisfazer as necessidades humanas com dignidade e sem ultrapassar os limites da biosfera.
Essa reflexão marca o campo de atuação para o IX Congresso Internacional de Educação Ambiental dos Países e Comunidades de Língua Portuguesa, concebido como um espaço de diálogo para explorar e reconhecer a sociodiversidade da Lusofonia. Uma abordagem intercultural para a Educação Ambiental é agora mais necessária diante da necessidade de articular formas de governança global que permitam enfrentar a crise civilizacional em que estamos imersos com critérios de respeito à diversidade, à equidade e à justiça ambiental.
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