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Timor-Leste: onde a Educação Ambiental une povos, culturas para inspirar o futuro

24 julho, 2026 Vitor Almeida Comments Off

Há lugares que, pela sua história, diversidade cultural e relação profunda com a natureza, se transformam em símbolos de esperança. Timor-Leste é um desses lugares. Em 2027, será o palco do IX Congresso Internacional de Educação Ambiental dos Países e Comunidades de Língua Portuguesa, acolhendo participantes provenientes de vários continentes para um encontro que pretende ir muito além da partilha de experiências: será um espaço de construção de pontes, de fortalecimento da cooperação e de renovação do compromisso coletivo com a sustentabilidade do Planeta.

A escolha de Timor-Leste para acolher este Congresso representa o reconhecimento do percurso que o país tem vindo a construir na promoção da Educação Ambiental, da proteção da biodiversidade, da adaptação às alterações climáticas e da valorização dos seus patrimónios natural e cultural. É também uma oportunidade para dar a conhecer uma realidade que continua a surpreender muitos dos países da lusofonia, revelando a riqueza de um território onde diferentes culturas convivem e onde a relação entre as comunidades e a natureza continua profundamente enraizada.

Foi precisamente este significado que Joaquim Ramos Pinto, Presidente da Associação Portuguesa de Educação Ambiental (ASPEA) e coordenador da REDELUSO, destacou ao recordar que a candidatura de Timor-Leste foi recebida com enorme entusiasmo pela comunidade lusófona. Segundo o responsável, o Congresso permitirá que os países da CPLP conheçam mais de perto o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos vinte e cinco anos na construção de políticas públicas, programas educativos e projetos de Educação Ambiental, promovendo, simultaneamente, novas oportunidades de cooperação entre instituições, investigadores, educadores e organizações da sociedade civil.

Para Elisa Luísa Pereira, responsável nacional pela Educação Ambiental em Timor-Leste, este Congresso traduz igualmente o forte compromisso do país com a construção de um futuro ambientalmente mais responsável e socialmente justo. A Educação Ambiental, afirma, constitui um instrumento essencial para enfrentar as alterações climáticas, conservar a biodiversidade, formar cidadãos e profissionais mais conscientes e reforçar a cooperação entre os povos. O objetivo é claro: organizar um Congresso participativo, inclusivo, intercultural e transformador, capaz de fortalecer os laços de amizade que unem as comunidades lusófonas.

Um Congresso para construir pontes

O tema central do Congresso — “A Educação Ambiental a tecer e fortalecer laços de interculturalidade para a paz, a sustentabilidade e a cooperação entre os povos da lusofonia” — constitui um verdadeiro convite à ação coletiva.

Vivemos um tempo marcado pela emergência climática, pela perda acelerada da biodiversidade, pelo aumento das desigualdades sociais e por conflitos que desafiam diariamente a capacidade das sociedades construírem respostas comuns. Neste contexto, a Educação Ambiental deixa de ser apenas uma área do conhecimento para afirmar-se como uma estratégia de transformação social, capaz de promover literacia ambiental, pensamento crítico, participação cidadã e corresponsabilidade na construção de comunidades mais resilientes.

Ao realizar-se em Timor-Leste, este Congresso ganha uma dimensão simbólica particularmente relevante. Situado na Ásia e profundamente ligado à história da lusofonia, o país recorda-nos que a língua portuguesa constitui muito mais do que um património linguístico: representa uma comunidade de povos diversos, unidos pela vontade de cooperar, aprender em conjunto e construir soluções comuns para os desafios do planeta.

Educação Ambiental para a interculturalidade, a paz e os direitos humanos

O primeiro eixo temático coloca a interculturalidade no centro da Educação Ambiental. Num mundo onde coexistem diferentes formas de conhecer, viver e cuidar da natureza, torna-se indispensável reconhecer o valor dos saberes tradicionais, ancestrais e locais, colocando-os em diálogo com o conhecimento científico.

Construir uma cultura de paz significa também aprender a respeitar a diversidade, promover os direitos humanos, combater todas as formas de exclusão e criar espaços onde diferentes comunidades possam aprender umas com as outras. A Educação Ambiental torna-se, assim, uma linguagem comum capaz de aproximar povos e fortalecer relações de cooperação baseadas no respeito mútuo.

Governança, participação e ecocidadania

Nenhuma transformação socioambiental será possível sem cidadãos informados, participativos e comprometidos com os seus territórios. O segundo eixo destaca precisamente a importância da Educação Ambiental como fundamento da ecocidadania e da governança democrática.

Valorizar os ecossistemas, conservar a biodiversidade, proteger os recursos naturais e envolver as comunidades nas decisões ambientais constitui uma condição indispensável para sociedades mais justas e resilientes. Neste processo, os jovens assumem um papel particularmente relevante como protagonistas da mudança, desafiando instituições e comunidades a construir novos caminhos para uma cultura de sustentabilidade dos nossos territórios.

Educação Ambiental perante a policrise

As múltiplas crises que caracterizam o nosso tempo — ambientais, climáticas, económicas, sociais e sanitárias — exigem uma resposta educativa integrada. O terceiro eixo propõe reforçar a presença da Educação Ambiental em todos os níveis de ensino, desde a infância até ao ensino superior, articulando conhecimento científico, aprendizagem prática e participação comunitária.

Mais do que transmitir informação, importa formar cidadãos capazes de compreender a complexidade do mundo, desenvolver espírito crítico, agir de forma solidária e contribuir para soluções ambientalmente responsáveis e socialmente justas nos seus contextos de vida.

Educação Ambiental para uma economia verde e azul

O quarto eixo evidencia que não haverá um verdadeiro desenvolvimento económico sem uma sólida política de Educação Ambiental. A valorização dos recursos locais, da biodiversidade, dos oceanos, da agricultura, da água, do turismo responsável e das infraestruturas verdes e azuis exige cidadãos preparados para conciliar conservação da natureza, inovação e desenvolvimento.

A Educação Ambiental constitui, por isso, um investimento estratégico na construção de economias mais resilientes, inclusivas e comprometidas com o bem-estar das gerações presentes e futuras.

Um encontro para inspirar o futuro

Mais do que um congresso científico, o IX Congresso Internacional de Educação Ambiental dos Países e Comunidades de Língua Portuguesa pretende afirmar-se como um movimento de cooperação entre povos que acreditam que a educação continua a ser o caminho mais sólido para transformar a relação da humanidade com o planeta.

Em Timor-Leste, onde culturas, histórias e paisagens se encontram, a comunidade lusófona volta a reunir-se para renovar um compromisso que ultrapassa fronteiras: aprender em conjunto, valorizar a diversidade, fortalecer a amizade entre os povos e construir respostas comuns para os desafios ambientais do nosso tempo.

Porque cuidar da Terra é também cuidar das pessoas. E porque cada comunidade, cada cultura e cada território têm um conhecimento único a oferecer, o IX Congresso convida todos a tecer novos laços de interculturalidade, paz, sustentabilidade e cooperação, afirmando a Educação Ambiental como uma das mais poderosas forças de transformação para o futuro da lusofonia.

Para acompanhar atualizações oficiais sobre esta iniciativa e o desenvolvimento do Congresso, consulte: