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ENQUADRAMENTO

As raízes do Congresso Internacional de Educação Ambiental dos Países e Comunidades de Língua Portuguesa  remontam a 2005. Nesse ano, durante as XII Jornadas Pedagógicas da Associação Portuguesa de Educação Ambiental (ASPEA), surgiu a ideia de ampliar a promoção da Educação Ambiental na CPLP e Galiza, através da criação de uma rede colaborativa de educadores ambientais.


Foi neste contexto que se fundou a Rede Lusófona de Educação Ambiental (RedeLuso), a qual, desde então, não mais deixou de crescer, quer em termos humanos, quer em termos de relevância. A materialização deste crescimento está, sem dúvida, apoiada na realização das diversas edições do congresso, alavancadas pelo apoio da CPLP.


Volvidos apenas dois anos da fundação da RedeLuso, passou-se da ideia à ação, com a realização da primeira edição do congresso, em Santiago de Compostela (Galiza, Espanha). A segunda edição só viria a ter lugar em 2013, em Cuiabá (Mato Grosso, Brasil), mas, a partir daí, o evento tornou-se bienal, tendo ocorrido em vários países da CPLP, a saber:

Desta já longa história, fazem parte milhares de agentes de Educação Ambiental de diversos setores (políticos, académicos, investigadores, professores, educadores, técnicos, voluntários) que participaram direta ou indiretamente nos congressos, mas também aqueles que, de alguma forma usufruiram dos resultados dos mesmos.

 

Ao longo dos anos, são inúmeras as atividades desenvolvidas nos congressos, incluindo conferências, painéis, mesas de diálogo, apresentações orais, pósteres, oficinas, minicursos, apresentação de recursos, visitas a projetos e comunidades, entre outras atividades pedagógicas, culturais e lúdicas.

 

Os resultados dos congressos materializam-se de diversas formas, que incluem não apenas as publicações de caráter científico, mas também a realização de projetos comuns, o apoio a comunidades locais, a criação e o desenvolvimento de ações de formação, o estabelecimento de redes de investigação e a influência na ação política. Cada uma destas contribuições tem tido um papel fundamental na construção, divulgação e reforço de uma educação ambiental de identidade lusófona, de raiz local, mas de alcance global.

 

A nona edição decorrerá em Timor-Leste (Oé-Cusse Ambeno), em 2027, sob o tema A Educação Ambiental a tecer e fortalecer laços de interculturalidade para a paz, a sustentabilidade e a cooperação entre os povos da Lusofonia.

 

Diz-se que cultura e natureza são dois lados da mesma moeda, como interculturalidade e sustentabilidade. Essa crença ignora que natureza e sustentabilidade também são artefatos culturais. A criação no Ocidente da dualidade entre cultura e natureza tem sido uma ferramenta ideológica indispensável na tentativa de desconectar a espécie humana das determinações derivadas de sua animalidade; ou seja, para aliená-lo de suas condições de ecodependência e interdependência.

 

Uma Educação Ambiental para a sustentabilidade numa perspectiva intercultural implica, portanto, aceitar que existem diferentes formas de entender o lugar da nossa espécie na biosfera. Envolve abrir um processo dialógico para explorar alternativas que nos permitam superar o choque traumático da sociedade de mercado global contra os limites da biosfera. Implica reconhecer que existem outras formas culturais de colocar os seres humanos no mundo, maneiras que podem conter as chaves para reagir à nossa atual incapacidade de satisfazer as necessidades humanas com dignidade e sem ultrapassar os limites da biosfera.

 

Essa reflexão marca o campo de atuação para o IX Congresso Internacional de Educação Ambiental dos Países e Comunidades de Língua Portuguesa, concebido como um espaço de diálogo para explorar e reconhecer a sociodiversidade da Lusofonia. Uma abordagem intercultural para a Educação Ambiental é agora mais necessária diante da necessidade de articular formas de governança global que permitam enfrentar a crise civilizacional em que estamos imersos com critérios de respeito à diversidade, à equidade e à justiça ambiental.