domingo, 18 de novembro de 2018

A Região

GUINÉ-BISSAU E REGIÃO BOLAMA-BIJAGÓS

Guiné-Bissau é um país tropical na costa atlântica ocidental de África, conhecido pelos parques nacionais e pela vida selvagem. O arquipélago dos Bijagós, arborizado e pouco povoado, é uma reserva da biosfera protegida. A ilha principal, Bubaque faz parte do Parque Nacional de Orango, um habitat de hipopótamos de água salgada. No continente, a capital, Bissau, é um porto com edifícios coloniais portugueses no centro da cidade antiga.

A sua Reserva de Biosfera do Arquipélago Bolama Bijagós situa-se entre 11° - 12°N e 15°30’ - 16°30’W na Costa Oeste africana. O arquipélago é composto por 88 ilhas e ilhéus que cobrem uma superfície total de 1.046.950 ha (10.000 km²) e encontra-se no local de confluência de corredores litorais vindas de Norte e Sul.

guinea bissau mapa

Origem de País até aos dias de hoje

Os primeiros vestígios da presença humana da Guiné-Bissau datam de 200 mil anos a.C. mas os registos históricos mais evidentes iniciam-se no 3º. Milénio a.C. com a chegada de povos do deserto do Sahara, ascendentes dos atuais grupos étnicos do litoral e ilhas da Guiné-Bissau. No século VI a.C. funda-se o império do Gana que perdura até ao séc. XI, quando os almorávidas tomam Kumbi-Saleh, a capital do Gana. É então que os povos Naulus e Ludurnas chegam à Guiné-Bissau, onde dominavam os povos Mandingas, pertencentes ao Reino de Gabú, instalados entre a região nordeste da Guiné-Bissau e a região de Cassamansa. Reino de Gabú era por sua vez vassalo do Império do Mali (1230 a 1546), Estado rico e sumptuoso que se estendeu entre a Região do Rio Senegal e do Alto Níger.

A chegada dos portugueses à Guiné-Bissau deu-se entre 1445 e 1447 e é atribuída a Nuno Tristão que terá morrido numa destas primeiras investidas num ataque perpetrado pelas tribos locais no rio Geba. Outros historiadores atribuem-na a Álvaro Fernandes que, pela mesma altura, terá chegado à praia de Varela.

A presença portuguesa no território inicia-se em 1588 na Vila de Cacheu, à altura sujeita administrativamente ao Arquipélago de Cabo-Verde. Esta localidade ficou conhecida pelo seu porto de águas fundas, ideias para transporte marítimo de ouro, marfim, especiarias e de escravos. Para além dos comerciantes portugueses e Cabo-Verdianos, Cacheu foi a casa dos portugueses “lançados” (aventureiros) e dos “degredados” (condenados ao exílio). As ocupações portuguesas seguintes, onde também se instalaram feitorias para fins comerciais, são posteriores a 1640 e foram sempre feitas a partir dos rios: Casamansa, são Domingos, Farim, Bissau, e mais tarde, Bolama e Bafatá.

Em 1753 é estabelecida pelos portugueses a capitania de Bissau. Os ingleses conseguem, por sua vez, estabelecer-se em Bolama, ilha do Arquipélago dos Bijagós mais perto do território continental da Guiné, em 1792.

Em 1879 procedeu-se à separação administrativa de Cabo-Verde e constitui-se mais uma colónia de Portugal, a Guiné Portuguesa que teve como a primeira capital Bolama.

Após a conferência de Berlim (1884-1885), em que Portugal apresentou o falhado Mapa Cor-de-Rosa, este País apressou-se a efetivar o povoamento da Guiné-Bissau e a dedicar-se à agricultura, não sem antes a população resistir e se travarem sanguinários combates. Em 1936 dá-se a última grande revolta que ficou conhecida como a revolta dos Bijagós de Canhabaque. A população guineense foi então obrigada ao trabalho forçado, as infraestruturas pouco foram desenvolvidas e foi dada a preferência para a nomeação de Cabo-Verdianos com funcionários.

Mais sobre a Região

O arquipélago dos Bijagós, elevado ao estatuto de reserva ecológica da biosfera da UNESCO em 1996, é composto por 88 ilhas, das quais 23 habitadas com caráter permanente. Algumas ilhas têm uma população sazonal que para ali se desloca para cultivo do arroz ou pesca, outras são consideradas sagradas para os Bijagós, sendo por isso, interdito viver ou até pernoitar nelas. É aliás esta fé animista dos Bijagós proibitiva de atividades económicas e de subsistência em muitas das áreas consideradas sagradas, o grande, de certa forma da preservação do Arquipélago. Pode nos também associar o estado de conservação destas ilhas ao fato de terem estado durante muitos anos isoladas, não só pela insularidade, mas também pelo temperamento guerreiro dos Bijagós que se protegeram desde sempre contra instruções estrangeiras mesmo no período da colonização.

Este Arquipélago, que possui uma beleza e riqueza natural e cultural de exceção, tem uma extensão marítima de 10 000 Km2 e a ilha mais próxima da parte continental dista cerca 20Km. Os mares que rodeiam as ilhas são pouco profundos, mas extremamente ricos, o que nos permite encontrar por exemplo, o manetin, as lontras-do- cabo, tubaroes, raias, peixes-sera, golfinhos, nomeadamente a tartaruga-verde que tem na ilha de poilão a principal área de desova em todo o Continente Africano.

O mangal cobre cerca de um terço da parte emergente do Arquipélago o que explica a riqueza das suas águas, tão apetecíveis igualmente para as aves. Efetivamente, os Arquipélagos dos Bijagós é também ponto de acolhimento para uma das maiores comunidades de aves migratórias a nível mundial.                         

Criada no dia 6 de Abril de 1996, pelo UNESCO, sob tutela do Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas-IBAB.

 

ILHA DE BUBAQUE

A ilha de Bubaque tem uma área de 48 km2 e cerca de 11.300 habitantes. Fica situada no canto sudeste do Arquipélago separada por um estreito canal de Rubane e relativamente próxima das Ilhas se Soga e Canhabaque.

Esta é a ilha mais turística, com variada oferta hoteleira um festival de música no fim-de-semana da Páscoa atrai muitos turistas que se deslocam vindos do continente para assistir a estes três dias de música contemporânea e tradicional guineense.

Bubaque1 rua principal porto Bubaque2 vista praia porto Bubaque3 galeria arte Bubaque4 bar porto

Cidade de Bubaque

A cidade de Bubaque, capital da ilha, vive à volta do porto e do mercado que ali existe, mesmo ao lado do pontão. É uma cidade com ruas descoordenadas e construções de caraterísticas variadas, com alguns vestígios de arquitetura colonial.

Elementos Históricos e a visitar na região

O porto altamente degradado, é por excelência o ponto de chegada à ilha. Aqui é possível ver o fervilhar daas gentes, principalmente quando chega e parte o barco com destino a Bissau, um cacilheiro onde tudo embarca e desembarca: peixe, galinhas, vacas, porcos, cabras e, claro, muita gente que entre sexta-feira e domingo, dias da viagem do barco, chega ou parte de Bubaque. Para entrar e sair do barco tem que se ser um pouco inventivo, pois as estruturas não estão preparadas para atracagem em condições ditas normais.

Mercado

Saindo do porto, e seguindo para o lado direito encontramos o mercado local, com as bancas de venda recheadas de cores. Aqui comercializa-se um pouco de tudo nos pequenos armazéns e bancas como legumes, frutas, peixe, carne, roupa cereais, arroz, medicamentos, sapatos ou pequenos eletrodomésticos.

Casa do antigo Administrador de Bubaque

O edifício colonial que fica ao canal que separa Bubaque de Rubane, encontra-se em evidente estado de degradação e funciona hoje, apesar de tudo, como sede administração do poder em Bubaque.

Museu de Bubaque

Para o lado esquerdo, à saída do porto sobe-se uma avenida onde se encontra o museu de Bubaque “Padre Biassutti” que acolhe dezenas de estátuas, mascaras e objetos de uso quotidiano pelos Bijagós, recolhidos ao longo dos anos por Luigi Scantambulo, missionário italiano que ali reside desde 1975. A arte Bijagó, a par do artesanato Nalu é uma das mais importantes e conhecidas da Guiné-Bissau. Os artesões Bijagos, apenas com uma faca e um pedaço de madeira produzem esculturas religiosas como máscaras, bancos do Régulo ou estátuas (estas exigem um cerimonial prévio á sua execução) canoas, remos pilões ou almofarizes. Toda esta riqueza cultural está representada neste museu inaugurado em 2009 e que está aberto de terça-feira a domingos. Horário 10h-13 e 16-19h              

Comunidades Humanas Residentes

A população total do arquipélago é de 27 000 habitantes dispersos por 185 aldeias repartidas pelas 23 ilhas habitadas. Cerca de 90% da população do arquipélago pertence à etnia Bijagó.

A etnia Bijagó (que se divide em quatro grupos distintos: Oracuma, Ogubane, Oraga e Ominca) constitui a população maioritária do Arquipélago. Podemos ainda encontrar em algumas Ilhas a etnia papel, Balanta, Manjaca e os Mandingas, Fulas e Nhominca. Esta última oriunda do Senegal e que se instala em acampamentos de pescadores sazonais. A base da economia no Arquipélago é o arroz, a pesca, a apanha de moluscos, a produção de óleo de palma ou o pastoreio, mas qualquer uma destas atividades é apenas de subsistência, havendo uma exploração responável de todos os recursos à disposição dos habitantes Bijagós.

Caracterização Ambiental

O arquipelago é uma formação de origem deltaica, o meio marinho caracteriza-se pela presença de grandes bancos de areia vasosas intermarés, seccionados por canais de profundidade variável e bordejados por mangais. A amplitude de maré é de cerca de 4 metros nas marés vivas. Em terra predominam os palamares, as savanas arbustivas litorais e as florestas semi-secas.

Fauna

O arquipélago abriga uma grande diversidade de mamíferos, aves, repteis e peixes. Esta área é reconhecida como sítio mais importante para a repodução da tartaruga-verde (Chelonia mydas) da costa atlântica de África (com mais de 7 000 posturas anuais). Outras espécies e/ou raras são aqui ainda relativamente abundantes, tais como os crocodilos (Crocodylus niloticus e o C. Tetraspis), os hipopótamos (Hippopotamus amphibius), os manatins (Trichechus senegalensis) e os golfinhos (Sousa teuszil e Tursiops iruncatus). Todos os anos oarquipélago recebe cerca de 800 000 limicolas invernantes para além de diversas aves aquáticas coloniais que ali se reproduzem.

Os objetivos principais de sua designação

Conservação da diversidade biológica e dos processos ecológicos fundamentais, valorizando, ao mesmo tempo, a gestão tradicional dos espaços e dos recursos, assim como a cultura Bijagó; melhoria das condições de vida das populações através de um modelo de desenvolvimento baseado na exploração racional dos recursos naturais; desenvolvimento do conhecimento científico sobre a região e formulação de propostas alternativas para o desenvolvimento da região e a implementação de mecanismos de gestão eficientes. os passeios de canoa na zona oferecem momentos inesquecíveis de calma e serenidade no coração de uma natureza selvagem.

Observa-se uma diversidade de aves aquáticas, principalmente durante a estação seca. Gansos e patos convivem com pelicanos e corvos-marinhos nas partes profundas. várias espécies de garças e garças-reais assim como grous coroados cantam a comida nas margens, enquanto jacanas deslocam-se delicadamente sobre as folhas de nenúfar e águias pesqueiras sobrevoam a superfície da água á procura de algum peixe.              

Outros Estatutos da Reserva de Biosfera do Arquipélago Bolama Bijagós é o Sitio Ramsar - Zona húmida de importância mundial.

 

ILHA DE ORANGO

Em termo de parques naturais, a Reserva de Biosfera do Arquipélago Bolama Bijagós comporta entre outros, o Parque de Orango na mesma ilha com seguintes carecteristicas:

Elementos geográficos e habitats

  • Situado no Arquipélago dos Bijagós
  • Composto por 5 ilhas principais (Orango Grande, Canogo, Meneque, Orangozinho e Imbone) e diversos ilhéus, incluindo Adonga, Tenhiba, Ancurum, Anabena, Amenopo, Canuopa, Anabaca, Adagar e Anhetibe.
  • Superfície total de 158 235ha.
  • 26 000ha de terras permanentemente emersas.
  • 17 000ha de mangal/”tarrafe”.
  • 13 600ha de bancos de lodo e areia.
  • Inclui extensos sectores marinhos até à batimétrica dos 10m.
  • As paisagens terrestressão dominadas por palmares e por savanas arbustivas.

Situação institucional

  • Criado em 1997, embora só oficializado mais tarde, em dezembro de 2000.
  • Decretos-lei 11, 12 e 13/2000, Boletim Oficial 49, de 4/12/2000.
  • Parte integrante do Sítio Ramsar do Arquipélago dos Bijagós.

Património Ambiental

  • População aparentemente saudável de hipopótamos Hippopotamusamphibius parcialmente ligados ao meio marinho
  • Presença de mamíferos marinhos ameaçados como os manatins Trichechussenegalensis e os golfinhos-corcunda Sousa teuszii, possivelmente em populações ainda densas.
  • Quatro espécies de tartarugas-marinhas nidificam no parque (Cheloniamydas, Lepidochelysolivacea, Eretmochelysimbricata, Dermochelyscoriacea – as duas últimas são bastante raras), com várias centenas de ninhos por ano.
  • Alberga uma parte significativa das 700.000 limícolas migradoras que invernam no arquipélago dos Bijagós.
  • Colónias de aves marinhas, sobretudo de garajaus (particularmente Sternacaspia e Sternamaxima) que chegam a juntar milhares de ninhos no ilhéu deAcapa-Imbonee que são de importância internacional.
  • Lagoas temporárias e permanentes de água doce ricas em avifauna, crocodilos, hipopótamos e peixes (estes últimos por estudar).
  • Núcleo importante de papagaio-cinzento-de-timnehPsittacustimneh, que é francamente raro a nível nacional e internacionalmente ameaçado.
  • Recursos em peixe riquíssimos mas ainda pouco estudados, nomeadamente tubarões, barracudas e sereias (Carangidae). As vastas áreas de mar pouco profundo, com canais e mangais, constituem excelentes zonas de reprodução e crescimento para numerosas espécies de elevado valor comercial.
  • Bancos de areia, rochas e raízes de mangal onde se encontram importantes recursos decrustáceos e moluscos, nomeadamente camarões, ostras e combé, que desempenham um papel fundamental na segurança alimentar das populações residentes.

Comunidades humanas residentes

  • 3.369 Habitantes distribuídos por 33 tabancas (censo populacional de 2009).
  • Grande maioria dos residentes são da etnia Bijagó.
  • Actividades principais: plantio de caju, arroz de sequeiro, feijão. Criação de vacas e porcos. Exploração dos produtos da palmeira e de outros frutos silvestres. Corte de tarra para confecção de esteiras. Pesca.
  • Existe um pequeno hotel dedicado ao ecoturismo nas proximidades de Eticoga (com 16 funcionários, incluindo marinheiros).

Problemáticas/desafios prioritários de conservação

  • Apesar dos sucessos na fiscalização marítima, a pesca ilegal continua a representar um problema grave e prioritário.
  • Captura acidental de espécies ameaçadas em artes de pesca (manatins, tartarugas, tubarões, etc.).
  • Expansão das plantações de caju e manutenção das zonas centrais do parque (por exemplo Imbone, Canuopa, etc.).
  • Captura ilegal de papagaios-cinzentos-de-timneh.
  • Captura ilegal de tartarugas (embora tenham sido feitos progressos assinaláveis na sua conservação).
  • Caça ilegal.
  • Expansão do gado bovino.
  • Queimadas para agricultura, para pastagens ou sem fins aparentes.
  • Abate de grandes árvores para construção de embarcações.
  • Potencial exploração petrolífera offshore.

Visita à Rainha Okinka Pampa

Mausoléu da Okinka Pampa que reinou no Arquipélago dos Bijagós até ao ano da sua morte, 1923. Venerada em todo o Arquipélago e também na parte continental por ter resistido à colonização dos Portugueses e por ter concluído com estes um acordo um acordo de paz considerado justo para o seu povo. Neste templo sagrado é venerada a rainha Pampa e toda a família real, consideradas divindades pelo povo Bijagó. Duas mulheres de meia-idade controlam a estrada no templo onde ninguém tem o direito de mexer na porta que lhe dá acesso e só se entra mediante uma autorização especial.   

 

ILHA FORMOSA

ÁREA MARINHA PROTEGIDA COMUNITÁRIA DAS ILHAS DE FORMOSA, NAGO E CHEDIÃ (ILHAS UROK)

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Caracterização Geográfica

  • Situada no Arquipélago dos Bijagós.
  • Superfície total de 54 500ha.
  • Inclui três ilhas principais (Formosa, Nago e Chediã) e vários ilhéus com uma superfície permanentemente emersa de 14 700ha.
  • 6600ha de mangais.
  • 20 300ha de zonas intermareais vasosas.
  • Ecossistemas terrestres dominados por savanas de densidade arbórea variável e por palmares.
  • Uma área marinha que se estende até à isóbata dos 10 metros.

Situação institucional

  • Criada em 12/07/2005.
  • Decreto-Lei nº 8, 2005.
  • Processo de criação e de gestão animado pela ONG Tiniguena, na qual o IBAP tem voluntariamente delegado grande parte das suas funções enquanto gestor do SNAP.
  • Parte integrante do Sítio Ramsar do Arquipélago dos Bijagós.

Património Ambiental

  • Ecossistemas marinhos pouco profundos muito ricos em peixes e em moluscos, verdadeiras zonas de reprodução e crescimento para recursos de importância económica e ecológica assinalável.
  • Presença de mamíferos marinhos ameaçados como os manatins Trichechussenegalensis e os golfinhos-corcunda Sousa teuszii, possivelmente em populações ainda densas.
  • A chamada “coroa de Urok”, parte desta área protegida, alberga uma parte significativa das 700.000 limícolas migradoras que invernam no arquipélago dos Bijagós.
  • Censos já realizados sugerem que o número de aves aquáticas que utiliza esta AP poderá ascender às 190 000, o que por si só confere enorme importância internacional a esta área.
  • Presença de um pequeno núcleo de papagaio-cinzento-de-timneh.

Comunidades humanas residentes

  • 2.928 habitantes distribuídos por 33 tabancas (censo populacional de 2009).
  • Grande maioria dos residentes são da etnia bijagó, mas em Nago predominam os papéis.
  • Actividades principais: plantio de caju e arroz de sequeiro. Criação de vacas e porcos. Exploração dos produtos da palmeira. Colheita de bivalves (sobretudo combé e lingrons) e pesca.

Problemáticas/desafios prioritários de conservação

  • Apesar dos sucessos na fiscalização marítima, a pesca ilegal continua a representar uma questão prioritária.
  • Exploração comercial dos recursos de bivalves.
  • Captura acidental de espécies ameaçadas em artes de pesca (manatins, tartarugas, tubarões, etc.).
  • Pressão para a instalação de unidades hoteleiras.
  • Expansão das plantações de caju.
  • Caça ilegal.
  • Expansão do gado bovino.
  • Queimadas para agricultura, para pastagens ou sem fins aparentes.
  • Abate de grandes árvores para construção de embarcações.
  • Potencial exploração petrolífera offshore.

 

Produtos de ecoturismo

Produtos culturais


A Música

A Dança

Gastronomia

Energia

 

ILHA DE SOGA

Esta ilha sagrada está reservada aos rituais de iniciação femininos. A visita é condicionada pelo que aconselhamos que se informem em Bubaque das possibilidades de ali se deslocarem.

 

 

ILHA DE CANHABAQUE

A ilha de Canhabaque, também conhecida por roxa, é uma ilha com 111 km2, coberta por uma luxuriosa vegetação e com bonitas praias alternadas com formações rochosas. Foi a primeira ilha do Arquipélago a ser habitada ainda hoje acolhe uma comunidade de cerca 2.500 habitantes espalhados por várias tabancas. É considerada a mais tradicional de todo o Arquipélago, em matéria de costumes e modo vida, e disputa com Caravela e reputação da mais bonita. Canhabaque é uma ilha encantada para os animistas, havendo a crença de que aqui as árvores falam. Vale a pena uma visita para conhecer as tradições, em especial às tabancas do lado nascente da ilha, que são as mais afastadas da influência de Bubaque: Inorei, Meneque, Inhodá e Ambeno. Aqui encontramos uma sociedade matrilinear, em que as mulheres têm uma forte predominância na gestão e manutenção do equilíbrio das tabancas.

[Fátima Tchumá Camará]

 

ILHAS DE JOÃO VIEIRA E POILÃO

A ilha de Poilão é uma ilha sagrada pelos espíritos segundo uma lenda Bijagó. É nesta ilha que se proceda à consagração de Régulos e a entrada é interdita a não iniciados. Em João Vieira, vivem sazonalmente os habitantes de Canhabaque proprietários desta ilha, que fazem a cultura do arroz ”Mpampam”, produzem o vinho e óleo de palma e praticam ao longo do ano, várias cerimonias tradicionais, bem como em Meio e Cavalos.De salientar que o povo Bijagó dedica cerca cem dias por ano a ritos e cerimónias tradicionais. 

Tem uma bonita baía com extensa praia de área branca, onde se encontra o hotel que serve de base logística a quem visita as ilhas entre deste Parque Marinho. A casa dos guardas do Parque de João Vieira e de Poilão alberga um museu modesto mas que oferece uma boa interpretação da Biodiversidade ali existente.         

Com o perímetro de cerca de três quilómetros, Poilão encontra-se cerca de 50 quilómetros da costa continental guineense é um verdadeiro santuário para a nidificação de tartarugas na África Ocidental. Entre outubro e novembro, cinco espécies de tartarugas marinhas fazem a desova no Arquipélago escolhendo essencialmente esta ilha. Aqui podemos encontrar a tartaruga verde, a tartaruga de pente, oliva, cabeçuda e a de couro.       

Com o acompanhamento de guardas do Parque é possível testemunhar não só a desova como a corrida das tartarugas recém-nascidas para o mar, um momento digno de registo.

Onde Comer e Dormir

Há um pequeno hotel/acampamento em João Vieira que recebe turistas e em Poilão existe um acampamento reservado temporário, normalmente reservado para os pesquisadores do Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas (IBAP). Nesta Ilha há um limite máximo de pessoas autorizadas a pernoitar.

Chez Claude

Tel: (00245) 955 968677

E-mail:joaovieirachezclaudeyahoo.fr        

Como Aqui Chegar

A partir de Bissau pode apanhar-se o barco de carreira até Bubaque e entrar em contato com IBAP para ver como organizar uma visita a estas ilhas. Alternativa é usar barcos privados a partir de Biombo, Norte do país ou Bissau, no Continente, ou de algumas das ilhas do Arquipélago com oferta de turística e opções de excursões a consultar nos hotéis.

Obs: Aconselhamos que se faça uma acompanhar de água engarrafada, roupa confortável, repelente, protetor solar e alimentos.      

 

PARQUE NATURAL DAS LAGOAS DE CUFADA

A maior reserva de água doce da Guiné-Bissau, está ameaçada.Para tal conheçam, melhor a importância do Parque Natural das Logoas de Cufada, no Sul da Guiné-Bissau.

As lagoas de Cufada, Bionra e Bedasse constituem o maior plano de água doce permanentes rodeados de pântanos e de planícies inundadas que se estendem até ao rio Corubal, sendo uma zona húmida de importância internacional e um sítio Ramsar. Contribuem para o lençol freático que alimenta em água doce a região de Quinara, sul da Guiné-Bissau, abrigam florestas densas e uma importante fauna. Acolhem um grande número de aves aquáticas na sua trajetória migratória, oferecendo paisagens de grande beleza.

A zona funciona como uma grande esponja que enche de água durante a estação das chuvas e alimenta pouco a pouco o lençol freático e os poços da região durante a estação seca.

As lagoas de Cufada são ocupadas por uma vegetação aquática constituída por arroz Silvestre à volta de nenúfares nas partes mais profundas. As margens exteriores são cobertas de planícies inundáveis ou de floresta.

O parque natural das lagoas de Cufada, classificado em 2000, está ameaçado pela futura exploração do bauxite no Boé, leste do país, no âmbito do qual se perspetiva a construção de um porto mineiro no rio de Buba e de uma estrada que atravessa o Parque, já iniciada.

Estas infraestruturas realizadas segundo os ambientalistas sem estúdio prévio de impacto ambiental e social acarretaram o abate de grande parte das suas florestas densas, podendo provavelmente implicar no futuro, a desclassificação de uma grande parte do Parque natural das lagoas de Cufada.

Como se isso não bastasse, uma empresa indiana pretende construir uma central elétrica no interior do Parque, onde prevê a desmatação de 12 a 30 km de florestas.

Situação que deixou ainda mais preocupada os defensores do ambiente na Guiné-Bissau.Segundo os ambientalistas, no dia, em que a lagoa de Cufada for poluída ou desaparecer o governo terá que levar milhões de litros de água ou seja cisternas para aprovisionar a população da região de Quinara, segundo eles as fontes ficarão sem águas.

Umas das funções das zonas húmidas, segundo os ambientalistas é de recargar o lençol freático na região e faz a distribuição da água para todos os poços da região de Quinara, ao mesmo tempo garantir o ciclo da água para as florestas.

O Parque natural das lagoas de Cufade, um exemplo da biodiversidade. Nas lagoas de Cufada, observa-se uma diversidade de aves aquáticas, principalmente durante a estação seca. Gansos e patos convivem com pelicanos e corvos-marinhos nas partes profundas. Várias espécies de garças e garças-reais assim como grous coroados cantam a comida nas margens, enquanto jaçanãs deslocam-se delicadamente sobre as folhas de nenúfar e águias pesqueiras sobrevoam a superfície da água à procura de algum peixe.               

Com todos os ganhos extraordinários que o Parque Natural das Lagoas de Cufada oferece, a construção da central elétrica no interior do mesmo parque na região de Quinará no sul do país é já um facto consumado. A resposta do governo foi dada pelo então Ministro de Estado da Energia ao Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas e a ONG TINIGUENA, duas organizações defensoras do ambiente que alertam sobre as consequências ambientais deste projeto da eletricidade na zona. 

Os passeios de canoa na zona oferecem momentos inesquecíveis de calma e serenidade no coração de uma natureza selvagem. A Guiné-Bissau, é um país rico em recursos naturais, água doce, terra arável, recursos haliêuticos, florestais e minerais, biodiversidade. Mas vítima de crises cíclicas, da falta de uma cultura democrática enraizada e da ausência de um estado de direito com estabilidade, que vale pelo bem-estar dos seus cidadãos.

A sua população sobrevive, sem conhecer ainda a pobreza extrema, graças a estes recursos, aos quais recorre em tempos de crise como nós de bonança. A promoção de um desenvolvimento durável do país que melhore a qualidade de vida destas populações é um imperativo inadiável.

Boas práticas na gestão dos recursos naturais, assegurando maior transparência e maior justiça na partilha dos seus benefícios com devido equilíbrio entre a parte que cabe às gerações presentes e deve ser reservada para as gerações futuras, são as premissas fundamentais de um desenvolvimento durável e justo na Guiné-Bissau.

É nesta base, que as lagoas de Cufada foram classificadas em 2000 como área protegida. As principais etnias residentes no parque são beafadas, fulas, mandingas e balantas. Sendo as três primeiras de religião muçulmana e a última animista.São agricultores que cultivam arroz pluvial, milho, amendoim, feijão e mandioca. As mulheres são responsáveis sobretudo pela orizicultura de bas-fonds, a coleta de frutos silvestres e as atividades extrativas, caso concreto de óleo de palma, sal e outros.

A etnia balanta distingue-se por um domínio da orizicultura em solos de mangal através de saberes notáveis. As mulheres balantas praticam a pesca, a coleta de moluscos e de crustáceos. As atividade extrativas, de caça ou de pesca estão sujeitas á autorização dos chefes tradicionais, que participam assim na gestão local.

  

ILHA DE BOLAMA 

O que ver na Ilha de Bolama

A ilha de Bolama tem 21.000 habitantes, uma superfície de 65 km2 e é habitada essencialmente etnia mancanha e alguns Bijagós. A pesca e agricultura (mancarra, batata, milho, mandioca e caju) são as principais atividades desenvolvidas pela população.  

A ilha tem agradáveis praias que merecem uma visita. A praia de Ofir (a cerca de 3 km de Bolama), onde se encontra a estrutura do que foi em tempos uma unidade hoteleira, é a praia mais procurada pelos habitantes de Bolama. A cerca de 21 km, na ponta sudoeste, encontra-se, a bonita praia de Bolama de Baixo com área fina e branca.

Elementos históricos e a visitar na região

Bolama é uma cidade abandonada, os edifícios de grande interesse históricos estão completamente deteriorados, sem qualquer manutenção e em risco de ruir. Apesar de tudo, merecem uma visita cuidada nesta terra que ”que foi uma vez….”

Palácio dos Paços do Conselho

Construído em 1919, este edifício assemelha-se em muito a arquitetura da casa branca, em Washington, como as suas colunas de tipo grego a apresentar os pilares do poder. Aqui se concentravam todos os serviços administrativos ligados à gestão corrente da Guiné Portuguesa. O edifício foi abandonado em 1949 quando a capital da Guiné foi deslocada para Bissau, estando atualmente em risco de ruína e já sem parte da cobertura.

Igreja de São José

A 16 de maio de 1871 foi construída esta Igreja de São José, de fachada simples e interior austero, mas que conserva alguns azulejos originais e que foi reconstruída em finais de século XX.

Ruinas do Banco Ultramarino

O banco do Ultramarino que ficava na praça principal, funcionou até aos anos 40 do século passado e foi posteriormente um hotel de elevada reputação, o Hotel Turismo, que também já fechou portas. Hoje, pouco mais se encontra que uma ruina de um edifício.

Jardim Municipal

No jardim encontramos um coreto (danificado) e múltiplos bancos de jardim, escondidos entre o capim que no entanto permitem imaginar a beleza deste espaço em tempos idos. As casas que circundam a praça, e as existentes nas ruas adjacentes recordam a arquitetura colonial portuguesa.

Como Aqui Chegar

A ligação entre Bolama e Bissau ocorre uma vez por semana. O barco sai de Bissau à sexta-feira e regresso de Bolama ao domingo, o que dá uma vida extra  à esta cidade que assiste normalmente a à cadência dos dias sem grandes sobressaltos. Além disso, há uma canoa para São João, parte continental que se vê da ilha (a cerca de duas horas de carro de Buba), e as pirogas particulares, que fazem transportes alternativos e mais e mais económicos entre Bolama Bissau (desaconselhável).

Porto da Cidade

Na parte Baixa da cidade de Bolama, fica o porto e o largo principal com uma imponente estátua de homenagem aos mortos de dois hidroaviões italianos, vítimas de um acidente aéreo em Bolama, em janeiro de 1931, a quando da primeira travessia do Oceano Atlântico em esquadrilha (14 hidroaviões) desde Roma até ao Rio de Janeiro. No porto encontramos também aquela que foi a piscina municipal da cidade de dimensões Olímpicas, rodeadas de palmeiras e com uma vista soberba sobre o Oceano e São João, atualmente abandonada. Ao lado, fica a sede da Região.                  

 Ilha das Galinhas

A ilha de Galinhas, com cerca de 1500 habitantes fica próxima de Bolama. Não tem qualquer estrutura de apoio hoteleiro mas merece uma visita breve pelo seu significado histórico e beleza das praias. No tempo colonial era um ilha prisão, designada por “Colónia Penal Agrícola da ilha das Galinhas”, onde estavam encarcerados os presos políticos, defensores da independência nomeadamente o intelectual e referência musical guineense, como o José Carlos Schwartz. Tem praias selvagens que vale a pena explorar. Aqui chega-se de piroga a partir de Boloma, São João ou Bissau.

Onde Dormir: Residência Pescarte e hotel Gã Djau

Onde Comer: Bar o Fogo

 

PARQUE NACIONAL DE CANTANHEZ

Para viajar de Bissau para Cantanhez deverá utilizar um Jipe ou um carro suficientemente alto para conseguir fazer a parte alta da picada, entre Guiledje e Imberem, que se encontra em muito mau estado.Aconselhamos também que esteja alguém à espera em Guiledje para acompanhar o resto da viagem pois há várias bifurcações na picada e uma ausência total de placas indicativas.

A sudeste de Catió e ao longo da fronteira com a Guiné Conacri, situa-se o Parque Nacional das Florestas de Cantanhez. Este Parque é delimitado a nordeste pelo rio Cumbidjã, a leste e sudoeste pelo rio Cacine, a norte pelos rios Balana e Balanazinho e a sudoeste pelo Oceano Atlântico.

É um dos ex-líbris da Guiné-Bissau com cerca de 1057 km2 de matas. Pela sua densidade florestal e preservação é um dos nove sítios naturais mais importantes do ponto de vista da biodiversidade na Guiné-Bissau. E para World Wildlife Fund (WWF) é uma das duzentas eco regiões mais relevantes a nível mundial. Estão aqui identificadas cerca de 207 plantas, mais de 30 espécies de mamíferos e cerca de 40 espécies de peixes.

Os guias do Parque têm formação especificas sobre a conservação ambiental, da fauna e da flora, que aliados ao conhecimentos ancestrais  transmitidos de geração em geração e à experiência desenvolvida asseguram um acompanhamento seguro dos turistas que até se deslocam. Ao dispor tem vários itinerários de diferentes graus de dificuldades e que podem incluir experiências de cultura tradicional itinerários nas florestas e/ou itinerários nas ilhas.  

A maior atração são os chimpanzés (Pan troglodytes) cuja observação é possível ao amanhecer quando estes acordam e iniciam os rituais diários com gritos e batimentos no chão que ecoam pela floresta. A contemplação da majestosa floresta densa e primária com os gigantescos Poilões e as Tagaras, desafiam os grupos de turistas a abraçá-las e a descobrir as pistas dos diversos animais. Os produtos destas matas veneradas pelas populações locais são ainda uma fonte de subsistência pois delas obtêm frutos, óleo de palma, madeira e lenha. Junto aos rios – que em época de chuvas aumentam o seu caudal até 6 m3 – é possível observar a calmaria dos mangais apenas interrompida por aves como garças, os matim pescadores ou por pescadores em canoas. Altíssimas palmeiras e as nascentes de água doce, sagradas para a população de Cantanhez, não deixarão ninguém indiferente.

O Parque constitui ainda o habitat, por exemplo, do macaco fidalgo (Colobus polykomos), de búfalos (Syncerus caffer) antílopes (Hippotragus equinus), do porco de mato preto (Phacochoerus aethiopicus africanus), do porco de mato vermelho (Potamochoerus porcus), do manatin (Trichechus senegalensis), de crocodilos (Crocodylus niloticus) entre outros. É também zona da passagem de garças flamingos, do pelicano do colhereiro africano e de muitas outras aves, algumas em vias de extinção.

TRADIÇÕES

Nesta zona a população distribui-se por 13 tabancas, com diferentes tradições e costumes. As etnias principais residentes no parque são a Balanta, a Nalu, a Tanda, a Djacanca, a Fula e a Sousso. Quase todos esses grupos étnicos mantem laços de parentesco da vizinha Guine-Conacri. Os Nalus são conhecidos pelo seu belo artesanato, a olaria Balanta também está disponível nesta região podendo, enquadra-se ainda o acompanhamento as zonas de produção do óleo de palma, ou onde se extrai o vinho de Cibe (Borasus aethiopum), visitar o processo de descasque tradicional de arroz observar a transformação da mandioca em vários produtos ou visitar as plantações de Cajú, Amendoim e de frutos tropicais.

Guiledje – Museu da Independência da Guiné-Bissau 

No sector de Bedanda situa-se Guiledje, povoação que ficou celebre com a tomada de assalto do quartel-general português aquando da luta pela libertação nacional guineense. No espaço do antigo quartel ergue-se o Museu da Independência da Guiné-Bissau, onde estão expostas armas, munições, documentos ou mapas. A visita ao Museu é acompanhada por um ex-combatente que ao explicar a estratégia militar parece reviver o momento mas que faz questão de enfatizar que o museu é uma ode á paz.

TOMBALI/ ECOCANTAHEZ 

Visa a promoção da melhoria das condições de vida e do ecoturismo no parque natural de Cantanhez, Região de Tombali, que beneficia cerca de 40 000 pessoas este projecto orçado em 550 mil euros e financiado em 90% pela EU engloba o museu «Ambiente e Cultura» que incentiva o aprofundamento do conhecimento sobre de diversidade ecológica e cultural e envolve as população na criação de condições para que os turistas possam permanecer na região e tenham acesso a guias locais. O projecto envolve as mulheres que asseguram o acolhimento habitacional e alimentar dos turistas e os jovens da região que assumem o papel de guias ecoturísticos dos diferentes itinerários propostos, incentiva a produção e transformação local de produtos típicos, como farinha de mandioca e óleo de palma, permitindo que o valor acrescentado permaneça nas tabancas e fomentando assim a criação de emprego.

O projecto Eco-Cantanhez- Ecoturismo no Parque Nacional de Cantanhez promove o turismo ambiental, o turismo histórico, o turismo de saudade, o turismo cultural e o turismo científico. Em Iemberém existem 3 bungalows de construção com material local (adobe e palha),3 bungalows na tabanca de Faro Sadjuma e um bungalows em Canamina, junta o rio Cacine. www. ecocantanhez. org

 

REGIÃO DE CACHEU

A região de Cacheu tem cerca de 185000 habitantes e fica situada na parte noroeste do país. Rodeada por rias, esta região e atravessada pelo Rio Cacheu, um dos mais importantes da Guiné-Bissau e é composta pelo sectores de Cacheu (capital de região), Canchungo, Caio, Bula Bigene e São Domingos.

Cidade de Cacheu

Esta cidade fica a sensivelmente 100km de Bissau, percorridos numa estrada alcatroada e em estado razoável. Quando a que chegamos somos transportados no tempo até aos séculos do tráfico de escravos e as feitorias.

Cacheu foi capital no tempo colonial e segundo os historiadores, a primeira feitoria Portuguesa. Criada em 1588 foi o centro do comércio dos escravos e ali nasceu em Maio de 1656 a companhia de Cacheu e Rios. Em 1879, com a criação da província da Guine Portuguesa, deixa de estar sob a dependência de Cabo Verde.

Forte de Cacheu

Em 1588 é construído o forte de Cacheu a pedido do cabo-verdiano Manuel Lopes Cardoso que recebe autorização da corroa Portuguesa e do Regulo Chapaia para organizar a defesa dos ataques corsários que ameaçavam a região. Este forte revestia-se de grande utilidade por favorecer o controlo sobre o rio e, naturalmente, a entrada e saída de navios barra.

Em termos arquitectónicos, o Forte caracteriza-se por uma planta rectangular de 26m de comprimento por 24m de largura com baluartes nos vértices simétricos relativamente aos lados. As muralhas são construídas em pedra argamassa com 4m de altura e aqui encontramos 16 canhões ainda nas suas posições defensivas originais.

Dentro do forte estão acomodadas, de forma surpreendente, diversas estátuas dos navegadores e heróis dos descobrimentos portugueses que vieram de vários pontos da Guiné- Bissau, onde tinham sido colocadas durante o período do estado novo português e posteriormente destronadas na fase pós- independência das praças onde foram erigidas. Podemos assim encontrar as grandes estátuas dos primeiros europeus a chegar a Guine no século XV- Diego Gomes (o primeiro explorador português a navegar as águas do rio Geba), Nuno Tristão (segundo os historiadores terá sido este o primeiro navegador a chegar aquela que hoje é designada Guiné – Bissau), Teixeira Pinto, o ‘pacificador’ da Guiné, bem como do primeiro governador da praça de Cacheu, Honório Barreto, nascido em Cacheu em1813, filho de João Pereira Barreto (Governador da Guine entre 1830-1859) e de Rosa de Carvalho Alvarenga (Dona Rosa de Cacheu).

O forte habitualmente encontra-se fechado mas é possível solicitar que abram a porta para uma visita, aconselhando-se uma pequena gorjeta no final ao Sr. Caminho (+245) 95590734, responsável para cuidar do espaço.

Santuário da nossa Senhora da Natividade

Esta igreja, dedicada a nossa Senhora da Natividade, padroeira de Cacheu foi a primeira igreja portuguesa edificada na África Ocidental, e recorda a chegada dos primeiros franciscanos missionários a Cacheu, em 1660. Encontra-se ainda em funcionamento e ali se celebra a homilia dominical. É uma igreja austeras mas que vale uma visita, apesar de ser notório que as paredes começam a ceder a pressão da humidade e do tempo. Anualmente, no mês de Dezembro realiza-se uma grande peregrinação nacional até este santuário naquela que é considerada a maior manifestação da religiosidade católica popular da Guiné-Bissau. Para visitar o interior da igreja aconselhamos que pergunte na sede da polícia, mesmo ao lado, onde encontrar a responsável pela chave da igreja.

Padrão na retunda do porto

A avenida que leva ao porto, com um separador central de duas faixas termina numa retunda onde podemos encontrar um padrão das comemorações Henriquinas datado de 1960 e atribuído ao escultor Severo Portela.

Cacheu Caminho de escravo

A promoção do património histórico e cultural da cidade de Cacheu e a dinamização da economia da região são os principais objectivos deste projeto concebido pela ONG AD ‘Ação para o Desenvolvimento’ e financiado pela união Europeia o projecto tem o orçamento total de 577mil Euros sendo 90% financiado pela EU. Uma das ações foi a concretização da construção de um memorial da escravatura que tem como fim a divulgação da cultura e da história de Cacheu. O objectivo global do projecto consiste em promover a cultura, o património histórico e as manifestações culturais como meio do desenvolvimento económico promoção de uma cultura da paz, através do pluralismo cultural, do diálogo intercultural e da construção de novas identidades de circuitos turísticos históricos, culturais e ambientais, a criação de condições de alojamento, restauração, formação de jovens e de mulheres o que permitirá um impacto positivo na redução da pobreza na região de Cacheu. Página: www.adbissau.org 

 

PARQUE NATURAL DOS TARRAFES DO RIO CACHEU

O parque Natural dos Tarrafes do Rio Cacheu é o maior mangal na África Ocidental e um santuário ecoturismo a não perder. Apanhando o barco no porto de Cacheu, é possível fazer uma incursão pelos braços do rio com o mesmo nome, que tem 150 km de extensão, na sua maior parte navegável, por entre mangais de um verde luxuriante cheios de ostras nas suas raízes ver a população na prática da pesca artesanal nas pirogas e observar uma grande diversidade faunística. Entre as espécies comuns do parque está o crocodilo (Crocodylus niloticus), a Piton africana (Python sebae) – conhecido nestas paragens como o ira cego – os esquilos gambiano (Heliosciurus gambianos), a gazela pintada (Tragelaphus scriptus) o mangusto (Herpestes paludinosus) ou o porco de mato preto (Phacochoerus aethiopicus africanos).

Uma das atracções do parque é o birdwatching proporcionado pela existência de mais de duas centenas de aves, nomeadamente pelicanos, flamengos e muitas aves e limícolas migratórias. Encontramos nesta zona também o calom grande (Bucorvus obssicus) ou o pato ferrão (Plectropterus gambeses).

A nível aquático e por estarmos perante um estuário a que nascem e crescem camarões. O bagre as carpas a barracuda (Psittacus), corvina (Cilus Gilbert) ou a tainha (Múgil cephalus) são dos peixes mais vulgares. o hipopótamos (Hipopótamos amphibius) e o manatin (Trichechus senegalenesis) também habitam esta região.

Há vários circuitos possíveis com preço distinto, tendo em conta as distâncias percorridas. O circuito curto, que liga Cacheu e São Domingos dura cerca de uma hora. A paragem em São Domingos permite um passeio pelas ruas das cidades que embora pouco tenha de relevante para visitar, tem um mercado de artesanato local que é interessante. Esse mercado não tem um dia certo para sua realização dado depender do calendário Felupe, etnia dominante nesta região.

Um circuito mais completo passa por Elia (aldeia que tem como característica cabana de dois pisos) Jobel, uma tabanca conhecida como pequena Veneza em que as pessoas se deslocam de canoa pelos seus canais de rio. Também é possível estender o passeio de barco até Poilão de Leão, uma tabanca onde o provável ver hipopótamos.

Alguns dos pontos de interesse a visitar nas tabancas a norte

Ver de perto as técnicas tradicionais de corte de madeira de tarrafe para utilização na habitação em Elalab, as particularidades da etnia Felupe, os rituais animistas ou as cerimónias tradicionais. Em termos de arquitectura, de referir as técnicas e matérias de construção das habitações, os utensílios artesanais locais como a madeira ou o barro.

Cacheu, Gestão sustentável dos recursos florestais no Parque Natural dos Tarrafes de Cacheu

Este projecto, levado a cabo pela ONG Monte em parceria com instituto da Biodiversidade e Áreas Protegida (IBAP) da Guiné-Bissau visa assegurar a conservação e a valorização da biodiversidade deste Parque em benefício dos 8000 habitantes da região de Cacheu e teve um apoio de dois milhões de Euros pela UE, 80% do valor total do projecto.

Entre os objectivos a alcançar podem elencar-se o fortalecimento da intervenção do IBAP na gestão do Parque Natural dos Tarrafes de Cacheu, a valorização dos recursos florestais, a promoção do ecoturismo, como a dotação de alojamentos para acolher Turistas no Parque a identificação de percursos para observação de espécies animais e vegetais ou a criação de um fundo de apoia a iniciativa comunitária que contribuam para a qualidade da vida, acções de sensibilização e de educação ambiental dirigida a crianças e jovens. Página: www.monte-ace.pt

 

SÃO DOMINGOS

Fica a 123 km de Bissau, feito em estradas alcatroada e em relativo bom estado. São Domingos é a cidade fronteiriça com Ziguinchor, Senegal. Aqui realiza-se um mercado que tem artesanato utilitário Felupe Colheres, Panelas, Catanas e merece uma breve visita. O porto, embora deteriorado tem uma vista aprazível para os Tarrafes do Parque Natural de Cacheu e permite captar bonitas imagens do pôr-do-sol.

 

VARELA  

Varela encontra-se a 175 km da capital Bissau. Chegando a São Domingos, em e em vez de seguir a estrada alcatroada para o Senegal, entra-se numa picada de 53 km que nos leva a praia continental mais bonita da Guiné-Bissau. A estrada, emborra não esteja nas melhores condições vale a pena pela paisagem de floresta densa em algumas partes de bolanhas noutras, passando por alguns palmares e sendo possível cruzar macacos, vacas, ratos palmistas (Xerus erythropus), além de algumas tabancas, aqui e ali a rodear a estrada a 12 km de Varela atravessa-se a população de Suzana onde é possível ver alguma vida um pequeno quartel, um centro de saúde e uma missão católica a muito ano ali instalada. É também nesta estrada que existe uma pitoresca ponte de madeira, em funcionamento até início de 2015, e que agora foi substituída por uma outra de ferro feita mesmo ao lado, sem qualquer cuidado estético mas com segurança reforçada.

Varela é uma longa avenida de terra batida, com casas se um lado e do outro que nos leva até ao mar. Esta região, predominantemente habitada por Felupes (etnia guerreira por excelência e que domina também na região de Casamansa) fica pouca distancia do Senegal, e de que está separada por um estreito braço de mar.

Praia dos Pescadores

Na estrada de varela do lado esquerdo e num percurso pedonal de cerca de 10 minutos encontra-se a praia dos pescadores, com uma parte rochosa e um mar onde se tem que percorrer muitos metros até se perder o pé.

Os Felupes fortemente animistas abandonaram recentemente esta praia como porto pesqueiro devido a morte de um dos pescadores, o que crêem ter sido determinado por uma maldição que se abateu sobre esta praia. É agora por isso essencialmente usada para apanha de madeira que se destina á confecção das refeições e para a praia e de leite dos poucos Turistas que frequentam a zona. Aconselhamos que assista ao pôr-do-sol.

Praia de Varela

Continuando sempre em frente até terminar a estrada, encontra-se esta praia, com quilómetros de areia branca e águas quentes, completamente selvagem e cheia de árvores que quase entram no mar. A erosão Marítima tem danificado esta natureza de forma desastrosa nos últimos anos, o que é visível nos primeiros metros de areia que se percorrem onde algumas construções foram tomadas pelo mar.

A Praia de Niquim, um pouco mais afastadas da povoação e onde só se chega de carro 4x4 ou caminhando pela areia, e de rara beleza com as suas pequenas dunas de areia branca. Continuando pelo areal (não é possível fazer percurso de carro) durante cerca de uma hora, chega-se a uma lagoa que está habitualmente cheias de flamingos, pelicanos e outras aves. O silêncio, a beleza e a calma deste local totalmente selvagem compensam o passeio.                          

                                                 

      

    

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