quarta, 20 de junho de 2018

A Região

GUINÉ-BISSAU E REGIÃO BOLAMA-BIJAGÓS

Guiné-Bissau é um país tropical na costa atlântica ocidental de África, conhecido pelos parques nacionais e pela vida selvagem. O arquipélago dos Bijagós, arborizado e pouco povoado, é uma reserva da biosfera protegida. A ilha principal, Bubaque faz parte do Parque Nacional de Orango, um habitat de hipopótamos de água salgada. No continente, a capital, Bissau, é um porto com edifícios coloniais portugueses no centro da cidade antiga.

A sua Reserva de Biosfera do Arquipélago Bolama Bijagós situa-se entre 11° - 12°N e 15°30’ - 16°30’W na Costa Oeste africana. O arquipélago é composto por 88 ilhas e ilhéus que cobrem uma superfície total de 1.046.950 ha (10.000 km²) e encontra-se no local de confluência de corredores litorais vindas de Norte e Sul.

guinea bissau mapa

 

Mais sobre a Região

O arquipélago dos Bijagós, elevado ao estatuto de reserva ecológica da biosfera da UNESCO em 1996, é composto por 88 ilhas, das quais 23 habitadas com caráter permanente. Algumas ilhas têm uma população sazonal que para ali se desloca para cultivo do arroz ou pesca, outras são consideradas sagradas para os Bijagós, sendo por isso, interdito viver ou até pernoitar nelas. É aliás esta fé animista dos Bijagós proibitiva de atividades económicas e de subsistência em muitas das áreas consideradas sagradas, o grande, de certa forma da preservação do Arquipélago. Pode nos também associar o estado de conservação destas ilhas ao fato de terem estado durante muitos anos isoladas, não só pela insularidade, mas também pelo temperamento guerreiro dos Bijagós que se protegeram desde sempre contra instruções estrangeiras mesmo no período da colonização.

Este Arquipélago, que possui uma beleza e riqueza natural e cultural de exceção, tem uma extensão marítima de 10 000 Km2 e a ilha mais próxima da parte continental dista cerca 20Km. Os mares que rodeiam as ilhas são pouco profundos, mas extremamente ricos, o que nos permite encontrar por exemplo, o manetin, as lontras-do- cabo, tubaroes, raias, peixes-sera, golfinhos, nomeadamente a tartaruga-verde que tem na ilha de poilão a principal área de desova em todo o Continente Africano.

O mangal cobre cerca de um terço da parte emergente do Arquipélago o que explica a riqueza das suas águas, tão apetecíveis igualmente para as aves. Efetivamente, os Arquipélagos dos Bijagós é também ponto de acolhimento para uma das maiores comunidades de aves migratórias a nível mundial.                         

Criada no dia 6 de Abril de 1996, pelo UNESCO, sob tutela do Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas-IBAB.

 

ILHA DE BUBAQUE

A ilha de Bubaque tem uma área de 48 km2 e cerca de 11.300 habitantes. Fica situada no canto sudeste do Arquipélago separada por um estreito canal de Rubane e relativamente próxima das Ilhas se Soga e Canhabaque.

Esta é a ilha mais turística, com variada oferta hoteleira um festival de música no fim-de-semana da Páscoa atrai muitos turistas que se deslocam vindos do continente para assistir a estes três dias de música contemporânea e tradicional guineense.

Bubaque1 rua principal porto Bubaque2 vista praia porto Bubaque3 galeria arte Bubaque4 bar porto

Cidade de Bubaque

A cidade de Bubaque, capital da ilha, vive à volta do porto e do mercado que ali existe, mesmo ao lado do pontão. É uma cidade com ruas descoordenadas e construções de caraterísticas variadas, com alguns vestígios de arquitetura colonial.

Elementos Históricos e a visitar na região

O porto altamente degradado, é por excelência o ponto de chegada à ilha. Aqui é possível ver o fervilhar daas gentes, principalmente quando chega e parte o barco com destino a Bissau, um cacilheiro onde tudo embarca e desembarca: peixe, galinhas, vacas, porcos, cabras e, claro, muita gente que entre sexta-feira e domingo, dias da viagem do barco, chega ou parte de Bubaque. Para entrar e sair do barco tem que se ser um pouco inventivo, pois as estruturas não estão preparadas para atracagem em condições ditas normais.

Mercado

Saindo do porto, e seguindo para o lado direito encontramos o mercado local, com as bancas de venda recheadas de cores. Aqui comercializa-se um pouco de tudo nos pequenos armazéns e bancas como legumes, frutas, peixe, carne, roupa cereais, arroz, medicamentos, sapatos ou pequenos eletrodomésticos.

Casa do antigo Administrador de Bubaque

O edifício colonial que fica ao canal que separa Bubaque de Rubane, encontra-se em evidente estado de degradação e funciona hoje, apesar de tudo, como sede administração do poder em Bubaque.

Museu de Bubaque

Para o lado esquerdo, à saída do porto sobe-se uma avenida onde se encontra o museu de Bubaque “Padre Biassutti” que acolhe dezenas de estátuas, mascaras e objetos de uso quotidiano pelos Bijagós, recolhidos ao longo dos anos por Luigi Scantambulo, missionário italiano que ali reside desde 1975. A arte Bijagó, a par do artesanato Nalu é uma das mais importantes e conhecidas da Guiné-Bissau. Os artesões Bijagos, apenas com uma faca e um pedaço de madeira produzem esculturas religiosas como máscaras, bancos do Régulo ou estátuas (estas exigem um cerimonial prévio á sua execução) canoas, remos pilões ou almofarizes. Toda esta riqueza cultural está representada neste museu inaugurado em 2009 e que está aberto de terça-feira a domingos. Horário 10h-13 e 16-19h              

Comunidades Humanas Residentes

A população total do arquipélago é de 27 000 habitantes dispersos por 185 aldeias repartidas pelas 23 ilhas habitadas. Cerca de 90% da população do arquipélago pertence à etnia Bijagó.

A etnia Bijagó (que se divide em quatro grupos distintos: Oracuma, Ogubane, Oraga e Ominca) constitui a população maioritária do Arquipélago. Podemos ainda encontrar em algumas Ilhas a etnia papel, Balanta, Manjaca e os Mandingas, Fulas e Nhominca. Esta última oriunda do Senegal e que se instala em acampamentos de pescadores sazonais. A base da economia no Arquipélago é o arroz, a pesca, a apanha de moluscos, a produção de óleo de palma ou o pastoreio, mas qualquer uma destas atividades é apenas de subsistência, havendo uma exploração responável de todos os recursos à disposição dos habitantes Bijagós.

Caracterização Ambiental

O arquipelago é uma formação de origem deltaica, o meio marinho caracteriza-se pela presença de grandes bancos de areia vasosas intermarés, seccionados por canais de profundidade variável e bordejados por mangais. A amplitude de maré é de cerca de 4 metros nas marés vivas. Em terra predominam os palamares, as savanas arbustivas litorais e as florestas semi-secas.

Fauna

O arquipélago abriga uma grande diversidade de mamíferos, aves, repteis e peixes. Esta área é reconhecida como sítio mais importante para a repodução da tartaruga-verde (Chelonia mydas) da costa atlântica de África (com mais de 7 000 posturas anuais). Outras espécies e/ou raras são aqui ainda relativamente abundantes, tais como os crocodilos (Crocodylus niloticus e o C. Tetraspis), os hipopótamos (Hippopotamus amphibius), os manatins (Trichechus senegalensis) e os golfinhos (Sousa teuszil e Tursiops iruncatus). Todos os anos oarquipélago recebe cerca de 800 000 limicolas invernantes para além de diversas aves aquáticas coloniais que ali se reproduzem.

Os objetivos principais de sua designação

Conservação da diversidade biológica e dos processos ecológicos fundamentais, valorizando, ao mesmo tempo, a gestão tradicional dos espaços e dos recursos, assim como a cultura Bijagó; melhoria das condições de vida das populações através de um modelo de desenvolvimento baseado na exploração racional dos recursos naturais; desenvolvimento do conhecimento científico sobre a região e formulação de propostas alternativas para o desenvolvimento da região e a implementação de mecanismos de gestão eficientes. os passeios de canoa na zona oferecem momentos inesquecíveis de calma e serenidade no coração de uma natureza selvagem.

Observa-se uma diversidade de aves aquáticas, principalmente durante a estação seca. Gansos e patos convivem com pelicanos e corvos-marinhos nas partes profundas. várias espécies de garças e garças-reais assim como grous coroados cantam a comida nas margens, enquanto jacanas deslocam-se delicadamente sobre as folhas de nenúfar e águias pesqueiras sobrevoam a superfície da água á procura de algum peixe.              

Outros Estatutos da Reserva de Biosfera do Arquipélago Bolama Bijagós é o Sitio Ramsar - Zona húmida de importância mundial.

 

ILHA DE ORANGO

Em termo de parques naturais, a Reserva de Biosfera do Arquipélago Bolama Bijagós comporta entre outros, o Parque de Orango na mesma ilha com seguintes carecteristicas:

Elementos geográficos e habitats

  • Situado no Arquipélago dos Bijagós
  • Composto por 5 ilhas principais (Orango Grande, Canogo, Meneque, Orangozinho e Imbone) e diversos ilhéus, incluindo Adonga, Tenhiba, Ancurum, Anabena, Amenopo, Canuopa, Anabaca, Adagar e Anhetibe.
  • Superfície total de 158 235ha.
  • 26 000ha de terras permanentemente emersas.
  • 17 000ha de mangal/”tarrafe”.
  • 13 600ha de bancos de lodo e areia.
  • Inclui extensos sectores marinhos até à batimétrica dos 10m.
  • As paisagens terrestressão dominadas por palmares e por savanas arbustivas.

Situação institucional

  • Criado em 1997, embora só oficializado mais tarde, em dezembro de 2000.
  • Decretos-lei 11, 12 e 13/2000, Boletim Oficial 49, de 4/12/2000.
  • Parte integrante do Sítio Ramsar do Arquipélago dos Bijagós.

Património Ambiental

  • População aparentemente saudável de hipopótamos Hippopotamusamphibius parcialmente ligados ao meio marinho
  • Presença de mamíferos marinhos ameaçados como os manatins Trichechussenegalensis e os golfinhos-corcunda Sousa teuszii, possivelmente em populações ainda densas.
  • Quatro espécies de tartarugas-marinhas nidificam no parque (Cheloniamydas, Lepidochelysolivacea, Eretmochelysimbricata, Dermochelyscoriacea – as duas últimas são bastante raras), com várias centenas de ninhos por ano.
  • Alberga uma parte significativa das 700.000 limícolas migradoras que invernam no arquipélago dos Bijagós.
  • Colónias de aves marinhas, sobretudo de garajaus (particularmente Sternacaspia e Sternamaxima) que chegam a juntar milhares de ninhos no ilhéu deAcapa-Imbonee que são de importância internacional.
  • Lagoas temporárias e permanentes de água doce ricas em avifauna, crocodilos, hipopótamos e peixes (estes últimos por estudar).
  • Núcleo importante de papagaio-cinzento-de-timnehPsittacustimneh, que é francamente raro a nível nacional e internacionalmente ameaçado.
  • Recursos em peixe riquíssimos mas ainda pouco estudados, nomeadamente tubarões, barracudas e sereias (Carangidae). As vastas áreas de mar pouco profundo, com canais e mangais, constituem excelentes zonas de reprodução e crescimento para numerosas espécies de elevado valor comercial.
  • Bancos de areia, rochas e raízes de mangal onde se encontram importantes recursos decrustáceos e moluscos, nomeadamente camarões, ostras e combé, que desempenham um papel fundamental na segurança alimentar das populações residentes.

Comunidades humanas residentes

  • 3.369 Habitantes distribuídos por 33 tabancas (censo populacional de 2009).
  • Grande maioria dos residentes são da etnia Bijagó.
  • Actividades principais: plantio de caju, arroz de sequeiro, feijão. Criação de vacas e porcos. Exploração dos produtos da palmeira e de outros frutos silvestres. Corte de tarra para confecção de esteiras. Pesca.
  • Existe um pequeno hotel dedicado ao ecoturismo nas proximidades de Eticoga (com 16 funcionários, incluindo marinheiros).

Problemáticas/desafios prioritários de conservação

  • Apesar dos sucessos na fiscalização marítima, a pesca ilegal continua a representar um problema grave e prioritário.
  • Captura acidental de espécies ameaçadas em artes de pesca (manatins, tartarugas, tubarões, etc.).
  • Expansão das plantações de caju e manutenção das zonas centrais do parque (por exemplo Imbone, Canuopa, etc.).
  • Captura ilegal de papagaios-cinzentos-de-timneh.
  • Captura ilegal de tartarugas (embora tenham sido feitos progressos assinaláveis na sua conservação).
  • Caça ilegal.
  • Expansão do gado bovino.
  • Queimadas para agricultura, para pastagens ou sem fins aparentes.
  • Abate de grandes árvores para construção de embarcações.
  • Potencial exploração petrolífera offshore.

 

ILHA FORMOSA

ÁREA MARINHA PROTEGIDA COMUNITÁRIA DAS ILHAS DE FORMOSA, NAGO E CHEDIÃ (ILHAS UROK)

Formosa5 ruas     Formosa6 pordosol
Formosa2 poco Formosa1 hortas Formosa4 regulo Formosa3 casa

Caracterização Geográfica

  • Situada no Arquipélago dos Bijagós.
  • Superfície total de 54 500ha.
  • Inclui três ilhas principais (Formosa, Nago e Chediã) e vários ilhéus com uma superfície permanentemente emersa de 14 700ha.
  • 6600ha de mangais.
  • 20 300ha de zonas intermareais vasosas.
  • Ecossistemas terrestres dominados por savanas de densidade arbórea variável e por palmares.
  • Uma área marinha que se estende até à isóbata dos 10 metros.

Situação institucional

  • Criada em 12/07/2005.
  • Decreto-Lei nº 8, 2005.
  • Processo de criação e de gestão animado pela ONG Tiniguena, na qual o IBAP tem voluntariamente delegado grande parte das suas funções enquanto gestor do SNAP.
  • Parte integrante do Sítio Ramsar do Arquipélago dos Bijagós.

Património Ambiental

  • Ecossistemas marinhos pouco profundos muito ricos em peixes e em moluscos, verdadeiras zonas de reprodução e crescimento para recursos de importância económica e ecológica assinalável.
  • Presença de mamíferos marinhos ameaçados como os manatins Trichechussenegalensis e os golfinhos-corcunda Sousa teuszii, possivelmente em populações ainda densas.
  • A chamada “coroa de Urok”, parte desta área protegida, alberga uma parte significativa das 700.000 limícolas migradoras que invernam no arquipélago dos Bijagós.
  • Censos já realizados sugerem que o número de aves aquáticas que utiliza esta AP poderá ascender às 190 000, o que por si só confere enorme importância internacional a esta área.
  • Presença de um pequeno núcleo de papagaio-cinzento-de-timneh.

Comunidades humanas residentes

  • 2.928 habitantes distribuídos por 33 tabancas (censo populacional de 2009).
  • Grande maioria dos residentes são da etnia bijagó, mas em Nago predominam os papéis.
  • Actividades principais: plantio de caju e arroz de sequeiro. Criação de vacas e porcos. Exploração dos produtos da palmeira. Colheita de bivalves (sobretudo combé e lingrons) e pesca.

Problemáticas/desafios prioritários de conservação

  • Apesar dos sucessos na fiscalização marítima, a pesca ilegal continua a representar uma questão prioritária.
  • Exploração comercial dos recursos de bivalves.
  • Captura acidental de espécies ameaçadas em artes de pesca (manatins, tartarugas, tubarões, etc.).
  • Pressão para a instalação de unidades hoteleiras.
  • Expansão das plantações de caju.
  • Caça ilegal.
  • Expansão do gado bovino.
  • Queimadas para agricultura, para pastagens ou sem fins aparentes.
  • Abate de grandes árvores para construção de embarcações.
  • Potencial exploração petrolífera offshore.

Produtos de ecoturismo

 

Produtos culturais


A Música

 

A Dança

Gastronomia

Energia

[Fátima Tchumá Camará]

Boletim Informativo

Agenda

June 2018
S M T W T F S
27 28 29 30 31 1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30