segunda, 23 de outubro de 2017

Eixos Temáticos

A TERRA É UMA ILHA: A Educação Ambiental como resposta às suas fragilidades e como contributo para viver nos seus limites

A ilha do Príncipe é muito mais do que um maravilhoso cenário. Pretender olhar a Terra como uma ilha a partir de uma ilha não é uma simples licença poética. A Terra é uma ilha viva perdida no cosmos. A metáfora que identifica o nosso planeta como elemento no sistema obvia algo tão evidente como importante: a Terra não vai a lugar algum e nós não vamos a nenhum lugar sem considerar um sistema complexo de relações. As notícias recorrentes sobre a descoberta de outros planetas que podem acolher vida, produzem uma sensação agridoce. Por um lado, expressam a crescente capacidade humana para desvendar os segredos do cosmos; por outro, deixam em evidência a dificuldade da nossa espécie em aceitar que o planeta que habitamos é excepcional. Haverá centenas, talvez milhares de outros mundos semelhantes à Terra, mas a possibilidade de encontrar uma biosfera com as condições que permitam a vida tal como evoluiu aqui é praticamente nula. E, mesmo que se encontre um outro planeta habitável, pensar numa migração humana em massa para fugir da deterioração da biosfera só pode ser descrita como um desafio.

Já em 1972, o relatório “Os limites do crescimento” advertia para um colapso civilizacional em meados deste século, fruto da erosão a que a biosfera se vê submetida por uma pressão humana cada vez mais intensa e depredadora dos ecossistemas e dos recursos disponíveis. Os testes de validação e contraste a que foi submetida esta previsão ao longo das últimas décadas tem vindo a reforçar o seu escuro prognóstico. Os sinais que a biosfera envia são inequívocos para a comunidade científica: as alterações climáticas, a perda de biodiversidade, a deterioração e a escassez de água doce, a ruptura dos ciclos do fósforo e do nitrogénio, a acidificação dos oceanos, o esgotamento das fontes fósseis de energia, etc. Tudo indica que estamos a tocar os limites, chegando a ultrapassá-los, com consequências incertas e dramáticas para a biosfera e, portanto, para todos nós.
As ilhas são cenários privilegiados para refletir sobre a capacidade de adaptação humana quando os limites biofísicos são evidentes. Não é por acaso que pensadores como Thomas Moro ou Aldous Huxley enraizaram as suas utopias positivas em espaços insulares; também não é por acaso que o eixo da revolução darwiniana cobrasse forma numa ilha. Também, a Ilha do Príncipe nos leva a pensar a Educação Ambiental a partir deste particular olhar insular. A sustentabilidade implica tomar consciência dos limites biofísicos, implica inevitavelmente a construção de uma cultura dos limites que integre os três grandes desafios da Educação Ambiental para este século: construir a consciência cidadã de um planeta finito; lançar esferas sociais alternativas nas quais seja possível explorar outros mundos; e contribuir para a redistribuição justa dos recursos e dos encargos ambientais entre os seres humanos que compartilham esta ilha planetária. Todavia, é preciso começar a transcender o paradigma do desenvolvimento sustentável para explorar o espaço incógnito do decréscimo sustentável, entre outras alternativas.
Desde o olhar lusófono, a Ilha do Príncipe e o mundo insular de São Tomé são também o local ideal para reconhecer os próprios limites da Educação Ambiental como campo da ação social e também explorar suas ilimitadas potencialidades para impulsionar as necessárias transições sociais e ambientais. Talvez já estejamos numa nova era da Educação Ambiental, a era de tocar os limites, de educar sobre os limites, de aprender a viver com frugalidade e justiça, mas sem desconsiderar nossa frágil e excecional condição de ilha planetária.
Para tentar responder a todas estas questões, o IV Congresso Internacional de Educação Ambiental dos Países e Comunidades de Língua Portuguesa visa promover um grande debate em torno de 8 eixos temáticos:


1. Identidade(s) do campo e políticas públicas em Educação Ambiental
2. A Educação ambiental na resposta às alterações climáticas e aos riscos e desastres ambientais
3. A Educação Ambiental nos equipamentos, interpretação e conservação
4. A Educação Ambiental no sistema educativo
5. As fronteiras da Educação Ambiental: ética, inclusão, género, paz e justiça
6. A Educação Ambiental na valorização socioeconómica das comunidades locais
7. A Educação Ambiental nos saberes tradicionais e manifestações culturais-artísticas
8. A Educação Ambiental-Educomunicação nas redes sociais e tecnologias de informação


Assim, convidamos a todos e todas que compartilham o campo da Educação Ambiental, em especial os representantes dos países lusófonos, para juntos pensarmos em alternativas e traçar novos caminhos a partir da troca de experiências, conhecimentos e perspectivas em relação ao entendimento do mundo, sob a metáfora de uma ilha e, em uma ilha, o belo e acolhedor Príncipe.

 
 
Eixos temáticos:
 
 
1. Identidade(s) do campo e políticas públicas em Educação Ambiental
 
A Educação Ambiental (EA) acumula décadas de história.
Declarações nacionais e internacionais concordam com seu papel central nas respostas à crise socioambiental, mas tal reconhecimento está longe de concretizar-se em políticas públicas correspondentes.
Tornam-se cada vez mais evidentes as contradições entre as finalidades da EA e de um sistema em que a economia global de mercado impõe a sua lógica económica, social e cultural.
É um enorme paradoxo, enquanto a crise socioambiental se torna mais aguda, a EA vem perdendo peso nas políticas públicas ambientais e educacionais.
Mesmo a sua identidade como campo da ação é questionada por propostas que se apresentam a si mesmas como superadoras.
Neste diagnóstico global, o mundo lusófono não é uma exceção. Diante desta situação de dupla crise, a socioambiental e a do campo da EA, são muitas as questões que se busca responder:
1. quais são os sinais de identidade da EA?;
2. a EA é um campo profissional, um campo científico técnico ou um movimento social?
3. como elevar a EA ao núcleo central das políticas ambientais e educacionais?
4. Que recursos (humanos, materiais, financeiros, organizacionais) mobilizam as políticas de EA no mundo lusófono?
Solicitamos aos potenciais participantes que submetam propostas de comunicações orais e de atividades, que possam auxiliar nos diálogos nesse sentido, que irão ocorrer no 4º Lusófono.
 
 
2. A Educação Ambiental nas respostas às alterações climáticas, vulnerabilidades, riscos e desastres
ambientais

O século XXI é o século das mudanças climáticas, uma "experimentação" planetária em que uma espécie, a humana, está a alterar sistemicamente a biosfera. A possibilidade de mitigar o seu impacte e de promover a resiliência social diante das suas consequências dependerá de que a humanidade seja capaz de realizar no âmbito de uma grande transição para formas sociais, económicas e energéticas alternativas. Este é o desafio que estabelece o recente Acordo de Paris (2015) para a redução global de emissões de gases de efeito estufa, aludindo explicitamente ao papel da educação para descarbonizar as sociedades contemporâneas.
A alteração do clima atua sinergicamente com fatores sociais multiplicando os riscos de desastres ambientais a que estão submetidas muitas comunidades humanas. Embora desde há muito tempo se refira os impactos dos desastres no desenvolvimento, tem-se debatido relativamente pouco a dinâmica inversa, ou seja, como um certo modelo de desenvolvimento dominante e um conjunto de opções de desenvolvimento associadas geram cenários de riscos e desastres.
A Educação Ambiental, enquanto dimensão educativa política, crítica e transformadora, que questiona as inter-relações entre o homem e o meio natural e tecnológico, constitui-se como um espaço educativo de excelência para promoção de aprendizagens orientadas para a compreensão da relação entre desenvolvimento, as alterações sistémicas da biosfera e a produção de riscos e desastres ambientais.
Neste cenário, o desafio educativo é, pelo menos, duplo: transformar as alterações climáticas numa ameaça relevante relacionando-as com dimensões significativas da vida das pessoas (alimentação, saúde, energia, água, segurança, etc.) e promover respostas individuais e coletivas que contribuam para aumentar a resiliência das comunidades humanas diante dos riscos e ameaças derivadas do modelo de desenvolvimento dominante e do seu impacto sobre o ambiente natural e humano. Neste eixo temático acolhem-se investigações, experiências e reflexões socioeducativas realizadas nas perspetivas da Educação e a Alfabetização Climáticas e a Educação para a Redução de Riscos e de Desastres Ambientais.

 

3. A Educação Ambiental nos equipamentos, interpretação e conservação

A Educação Ambiental é uma estratégia de ação e participação para abordar a problemática ambiental e contribuir de forma individual ou em grupo para a resolução do mesmo, ou para minimizar as causas e efeitos. Por se tratar de um ambiente educativo fora do sistema escolar, tem-se invertido desde o início no desenho e implementação de diversos recursos (unidades didáticas, vídeos, softwares, campanhas, caminhos...). De todos os recursos, resultam de especial interesse os equipamentos para a educação ambiental, por se tratarem de instalações fixas, com uma equipa de profissionais que desenvolvem programas a curto e médio prazo.
Neste Eixo Temático apresentam-se iniciativas inovadoras e pioneiras que estão a desenhar novas áreas e formas de atuação desde os centros de educação ambiental. Também iniciativas já consolidadas que foram avaliadas e das que podemos dar conta dos seus resultados. E por último, outros recursos e equipamentos que estão a ser uma referência para abordar temas de especial interesse pela sua relevância e atualidade. No âmbito dos equipamentos de educação ambiental de alguns dos países lusófonos, existe a necessidade de criar uma rede de equipamentos que preencham certos critérios de qualidade. Este pode ser o espaço para saber qual a realidade em cada um dos países participantes.
Neste Eixo Temático vão-se apresentar também projetos e estratégias baseadas na educação e na comunicação para a conservação dos espaços naturais, utilizando como metodologia a interpretação do património tendo em conta as necessidades legítimas dos habitantes. Convida à reflexão conjunta para enquadrar as diferentes tendências de intervenção educativa, os instrumentos de gestão e as ferramentas didáticas e comunicativas que se estão a implementar com sucesso, a fim de avaliar a criação de um Banco de Boas Práticas que se possa inspirar a outros grupos e países.

 

4. A Educação Ambiental no sistema educativo

A questão ambiental é um desafio posto a todos os níveis de formação institucionalizados, em especial, no que se refere às escolas e ao sistema de ensino superior. Este desafio tem apontado para a necessidade de elaboração de novos modelos didáticos e curriculares que articulem outros arranjos de conhecimento e possibilidades de relação entre a ciência, à prática social e as políticas públicas educacionais. Neste contexto, é preciso problematizar os modelos de formação adotados pelas instituições de secundário e ensino superior no âmbito da lusofonia; analisar a ação pedagógica desenvolvida pelos professores no contexto escolar e buscar alternativas para que se avance a ação educativo-ambiental nas instituições educativas.
O presente eixo temático busca promover um debate sobre as ações educativas realizadas no âmbito escolar e nas instituições de ensino superior, a formação de professores e educadores, a práxis docente, os projetos educativos escolares, as análises sobre os materiais didáticos, a formação de profissionais no Ensino Superior, os processos de ambientalização curricular em todos os níveis de ensino, as políticas públicas de educação nos países lusófonos e o papel das instituições educativas em relação à Educação Ambiental.

 

 

5. As fronteiras da Educação Ambiental: ética, inclusão, género, paz e justiça

A educação ambiental é política e requer os princípios de justiça, ética, coletivo e inclusão das diversidades e das diferentes identidades. Neste eixo temático, a ética e a justiça são transversais a todos os processos de transformação da natureza, sendo fundamental a sua consideração na tarefa de educar e da profunda liberdade para construir e respeitar os Direitos Humanos e também da Terra.
Este eixo considerará as contribuições relacionadas com o direito a um meio ambiente saudável, a compreensão dos conflitos socioambientais, as injustiças de discriminação por causas ambientais, os danos ambientais e também os princípios da justiça ambiental. Visa, assim, compreender e fortalecer o papel das mulheres, dos indígenas, dos quilombolas, das pessoas deficientes, dos grupos de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e intersexuais (LGBTI), além de juventudes e dos diálogos intergeracionais. É um eixo que também recapitula e agrega nossas relações com o outro, com a natureza e com o mundo, fomentando uma perspectiva ética de convivência e existência.

 

6. A Educação Ambiental na valorização socioeconómica das comunidades locais

Em todo o Mundo, o desenho, a execução e a avaliação de programas e atividades de Educação Ambiental têm sido desenvolvidos com recurso a financiamentos público e privado, nacionais e internacionais. Face à diversidade de modelos e de processos de desenvolvimento socioeconómico, a criação de projetos de Educação Ambiental com seguimento e monitorização tem vindo a ser considerada como uma necessidade, viabilizando a manutenção dos desejados equilíbrios sociais, económicos, democráticos e ambientais. Atividades socioeconómicas que facilitam a geração de emprego, a aquisição de rendimento e a obtenção de lucro, mas também fortaleçam a autonomia, o cooperativismo e o empoderamento, em atividades de geração de renda, como a agricultura, pesca, pecuária, exploração florestal, o setor transformador, o turismo, o comércio e as atividades marginalizadas (ou informais) das cadeias produtivas, requerem uma atenção redobrada com valorização de potencialidades naturais, potenciação de elementos culturais, referenciais e identitários promotores do desenvolvimento endógeno na perspetiva da sustentabilidade. A harmonização da relação entre o desenvolvimento socioeconómico e a valorização ambiental ganha terreno quando ponderados e analisados os impactes, particularmente sentidos em contexto comunitário.
O eixo temático 6 – “A Educação Ambiental na valorização socioeconómica das comunidades locais” – propõe a reflexão destas temáticas a partir da apresentação de casos concretos, assim como a organização de atividades comunitárias no terreno, procurando dar resposta a algumas questões que advêm de congressos anteriores: que papel pode ter a Educação Ambiental no desenvolvimento socioeconómico duma comunidade? Quais as chaves para o incremento de boas práticas? Perante as dificuldades em conseguir financiamento, há diferenças entre os projetos públicos e privados? Qual a importância do crowdfunding no financiamento destas ações?

 

7. A Educação Ambiental nos saberes tradicionais e manifestações culturais-artísticas

A configuração contemporânea do discurso da Educação Ambiental integra de forma cada vez mais relevante, conhecimentos tradicionais na forma dos povos e do conhecimento gerado nas comunidades indígenas, que oferecem uma leitura renovada e sem precedentes dos processos de integração do ser humano na natureza e nas formas de organização da convivência entre as pessoas. Visão, discursos e práticas que constituem um fator de inovação para a Educação Ambiental como ferramenta de melhora e diversificação das propostas de formação para a transformação da realidade social e ambiental.
Pela construção característica dos saberes tradicionais, estes se expressam principalmente na dinâmica da vida cotidiana e, especialmente, em discursos e histórias orais, rituais comunitários, produções artísticas e folclóricas e, num sentido global, em todas as elaborações e expressões culturais dos povos. Considerando-se essa ideia, este eixo temático integra duas linhas diversas, mas que se sobrepõem: os saberes tradicionais que fundamentam um discurso particular da Educação Ambiental e as manifestações culturais e artísticas voltadas para a construção e disseminação da Educação Ambiental.
Os saberes tradicionais são entendidos como o compêndio de conhecimento que foram e são elaborados e praticadas pelos povos da terra que estão fora das exigências da industrialização, a modernidade, o modelo de desenvolvimento convencional e a visão instrumental da ciência, e que pela sua natureza são relevantes para a construção de uma visão alternativa do mundo e da vida. Um conjunto de conhecimentos que de acordo com a Declaração da UNESCO sobre a Proteção e Promoção das Expressões Culturais (2005) são importantes para resolver os problemas que assolam à humanidade.
Complementarmente, as manifestações culturais e artísticas servem de plataforma para a criação, expressão e difusão de conhecimentos e experiências humanas. Nas diferentes vertentes: teatro, marionetes, dança, música, dramatizações, poesia, conta-contos, performances, desenho, filme, vídeo, entre outros; os eventos culturais são significativos e estratégicos para a construção do conhecimento ambiental e sua interiorização e utilização no âmbito vital das pessoas.
Considerando as ideias anteriores, este eixo temático têm um duplo objetivo: em primeiro lugar, valorizar o conhecimento tradicional e as expressões culturais e artísticas relacionadas com a Educação Ambiental e, segundo, servir de plataforma para a expressão da diversidade do mundo Lusofonia. Objetivos que, no seu conjunto, pretendem abraçar a diversidade como um fator que soma e, portanto, requer um tempo e um espaço específico para a expressão de conhecimentos e expressões culturais das comunidades não-indígenas e indígenas que contribuem com as suas criações para lidar um desafio comum, isto é: cuidar da vida no nosso planeta.

 

8. A Educação Ambiental-Educomunicação nas redes sociais e tecnologias de informação

As redes de Educação sócio-ambiental possuem hoje um papel relevante na agenda política do campo ambiental. Estrutura de laços, enlaces, arestas, linhas e nós que se conectam. Têm relevância pela dimensão política que ocupam, mobilização por sustentabilidade, que advém do próprio padrão organizacional das redes sociais: autorregulação, horizontalidade, conectividade, não linearidade, multilideranças e interatividade. São facilitadoras da democratização da informação e da comunicação para a inclusão social e emancipação política. Desta forma, podem constituir-se como instituintes de consolidação de Educação Ambiental crítica e emancipatória.
A organização da Educação sócio-ambiental formal e não formal tende a incorporar as práxis das redes de educação sócio-ambiental nos territórios, nas suas diversas dimensões, sobretudo na ampliação do espaço público numa perspetiva contra-hegemónica que desvela os conflitos socio ambientais e as injustiças sociais e ambientais.
Em adição, tende a estruturar-se apoiada na Educomunicação que potencializa os processos e resultados das redes. Educomunicação entendida como um campo de intervenção sócio-educativa, que nasce da inter-relação entre os campos da educação e da comunicação e se caracteriza como: “o conjunto de ações voltadas ao planejamento e implementação de práticas destinadas a criar e desenvolver ecossistemas comunicativos abertos e criativos e, espaços educativos, garantindo, desta forma, crescentes possibilidades de expressão a todos os membros das comunidades educativas1” (SOARES, 2003).
O educador Paulo Freire, uma das principais referências teóricas da Educomunicação, nos ensina que a educação só é possível enquanto ação comunicativa, uma vez que não se trata de pura transmissão de saberes, mas de troca entre sujeitos interlocutores. E ainda que toda comunicação, enquanto produção simbólica, intercâmbio e transmissão de sentidos é, em si, uma ação educativa. Para ele, a comunicação é um componente do processo educativo, muito além do recorte “messiânico tecnológico”.
Nesse sentido, a comunicação deixa de ser algo puramente midiático, com função instrumental, e passa a integrar as dinâmicas formativas. Esse ecossistema comunicativo, de que trata a educomunicação, é caracterizado por uma opção consciente para favorecer o diálogo social, aberto, democrático e criativo, como metodologia de ensino-aprendizagem. A relação dialógica não é dada pela tecnologia adotada, mas pelo tipo de relações estabelecidas.
Neste contexto, as ferramentas de comunicação são simultaneamente compreendidas como processo e produto. São processo porque é por meio delas que os sujeitos vão começar a se abrir para o conhecimento de si e de sua localidade, realizando entrevistas, mapeando, fotografando e pesquisando. Este processo pode se consolidar em produtos de comunicação colaborativos, que têm o potencial de envolver outros agentes, expandir a rede de pessoas trabalhando pela comunidade e todo o território, servir como veículo de divulgação das ações de organizações não-governamentais e governamentais do território. Esta dinamica de retroalimentação fortalece o senso crítico dos sujeitos, não apenas em relação aos meios de comunicação, mas também à existência de políticas públicas no campo socio-ambiental que beneficiem seu entorno, à qualidade da formação escolar e, principalmente, em relação à efetivação ou não dos direitos dos sujeitos.
A Educomunicação portanto vem sendo utilizada para fortalecer a participação social e política de diferentes sujeitos, de forma qualificada, autônoma e solidária, pela garantia de seus direitos e pela transformação socioambiental.

 

 

 

 
 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

joomla templatesfree joomla templatestemplate joomla

Boletim Informativo

Agenda

October 2017
S M T W T F S
1 2 3 4 5 6 7
8 9 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
29 30 31 1 2 3 4